segunda-feira, 30 de março de 2009

Comentário sobre o post da Dri Barbosa

Oi Dri, que bom que você conseguiu!!! Adorei o tópico, vamos ver se consigo condensar o que penso sobre isso...
(Meu comentário ficou tão enoooorme que resolvi transformá-lo em outro post. Que medo da minha verborragia!).

Acho que no momento está todo mundo meio perdido nos papéis que desempenha na vida, mesmo. Afinal, a nossa geração - que vem vendo mudanças a saltos enormes desde que nasceu - está experimentando na pele o que é vivenciar toda essa modernidade.
Mulher competindo em pé de igualdade com os homens no mercado de trabalho e na vida pessoal. Desde que o mundo é mundo, os homens desempenham basicamente um mesmo papel, que é o de prover. O homem das cavernas - doravante denominado Piteco - era o nosso herói: nos protegia de bichos e outros homens, caçava e trazia o nosso alimento, e era parte fundamental para procriação da espécie. Era a força bruta da casa, nosso escudo e senhor. Basicamente, essa era a função do homem na época. E até hoje, se pararmos para pensar cruamente, a função deles não mudou muito.
Já a mulher - desde o tempo das cavernas - fazia todo o resto. Era criada para isso. Cuidar da casa, engravidar, parir (sozinha?), cuidar dos filhos, cuidar do Piteco, transformar em alimento o bicho que ele trazia. Enfim, a gente sempre se virou e não percebia!
Só que ao longo dos tempos até anteontem (século XX), a mulher ouviu que era frágil física e intelectualmente. E essa idéia ficou arraigada tanto em homens quanto em nós, mulheres. Quando a mulher começou a perceber que a parte intelectual do nosso sexo era pura balela (na questão física, vamos dar um desconto), o homem - que nunca tinha parado pra pensar nisso - estremeceu."Como assim, ela dá conta também?" pensou Piteco, agora engravatado. E aí começou a nossa revolução:
Durante a Guerra, arregaçamos as mangas e fomos trabalhar nas fábricas, ocupando o lugar dos nossos homens que estavam nos campos de batalha e sem deixar a tarefa do lar de lado. Nos anos 60, queimamos sutiãns e nos 60/70 começamos a dar pra todo mundo! Nos anos 80, nossas mães vestiram aquelas ombreiras enormes - tal qual as dos jogadores de futebol americano - avisando seus pais, maridos e pares: sai da frente que estou passando! Nos anos 90: bom, aí cada uma pode escrever aqui a sua própria história. E hoje, senhoras e senhoritas, em pleno século XXI, ainda lutamos nas empresas por um salário igual ao dos homens ocupando o mesmo cargo que o nosso. Eu passei por isso em São Paulo. E ainda assim ganhamos, em média, 30% menos que eles**.
Isso tudo sem esquecer o "gramur": continuamos tendo que saber lavar, passar, cozinhar, cuidar dos filhos. Estar sempre arrumada, malhada, mãos e pés com esmaltes brilhando, cabelo impecável, sobrancelhas sem um único pelo saindo do lugar, depiladas e cheirosas! Ufa, nao há quem aguente. Eu, pelo menos, dô conta não!
O outro lado da moeda é verdadeiro, e disso eu posso falar de cadeira: as mulheres da nossa geração foram condicionadas a darem conta de tudo! E quando não dão, batem pino. Eu, passado um tempo de estar morando aqui nos EUA e não podendo trabalhar, quase pirei. Minhas emoções eram (e ainda são, só que bem menos frequentemente do que antes) uma montanha-russa. Um dia estava feliz, animada, no outro tinha que me esforçar para sair da cama. Mesmo depois que as meninas nasceram. Quantas e quantas vezes me senti uma ameba por não trabalhar. E olha que no meu caso era impedimento legal. Digo trabalho remunerado, pois em casa tenho que dar conta de tudo ao mesmo tempo agora e isso ainda não é suficiente pra mim! Enfim, nossa cabeça moderna também nos passa rasteiras.
Por isso tudo, acho que realmente alguns homens hoje em dia ainda se surpreendem com nossa flexibilidade. Mas nem tudo esta perdido! Alguns dos nossos contemporâneos não só não se surpreendem como apóiam e aplaudem nossa independência e nos ajudam. E percebam neste "ajudam", que é isso mesmo: ainda com toda essa carga de trabalho em cima das mulheres, os homens são coadjuvantes no terceiro turno, que é o de cuidar da casa e dos filhos.
Quem falta o trabalho quando o bebê adoece? Quem é que tem que providenciar/supervisionar a empregada-babá-diarista? Quem tem que pensar no cardápio da semana? Salve raras exceções e uma inversão de papéis que está chegando a passos bem lentos, somos nós mesmas.
Voltando aos nossos homens modernos: não sei precisar números, não sei se são minoria, acho que sim. Talvez por estarmos do lado deles, não se assustem tanto. Minhas amigas solteiras me contam que sim, eles tem muito medo de nós. E pelo fato de termos tanta liberdade e autonomia nos dias atuais, eles não nos levam tão a sério. Afinal, ir pra cama é tão fácil, quem quer compromisso? Pagamos pelas nossas conquistas de um modo ou de outro.
Olhem para seus maridos, namorados e pretês. Como eles se comportam?

Espero que não tenham se cansado. Me empolguei! Contem aí, como vocês enxergam o mundo de hoje?

** A primeira lei que Barack Obama assinou como presidente foi justamente uma que proíbe discriminação salarial (nao só de sexo, mas também raça, cor, religião, idade e "disability") : "The Lilly Ledbetter Fair Pay Act". http://www.youtube.com/watch?v=UtKAKlurRAY
Ele dedicou essa lei a sua avó e às mulheres que vieram antes dela, pois ela trabalhou duro porque queria o melhor para ele e para sua irmã, e dedicou também para suas filhas e as mulheres que vierem depois delas, para que não tenham limites em seus sonhos e que tenham possibilidades antes inimagináveis.
Não posso e não consigo disfarçar minha admiração por este homem!

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