terça-feira, 10 de maio de 2011
Vida de Malhadora: Ginástica Localizada Hermes
Vida de Malhadora: Ginástica Localizada Hermes: "Bom dia pessoal! Essa semana falaremos sobre a ginástica localizada em Brasília. Vamos apresentar para vocês os 'Mestres da Local'. Para re..."
domingo, 23 de janeiro de 2011
A face feia do filme “Biutiful”
Falta do que fazer é uma coisa mesmo... No meu caso, acabo indo ver um filme atrás do outro no cinema, mesmo já tendo dito que isto não é muito indicado, já que pode embaralhar as coisas na cabeça de quem assiste. Essa minha reincidência me faz lembrar o que um amigo disse sobre mim (pra mim, claro, já que é amigo), certa feita: que, de tão incoerente, sou coerente. Adorei a descrição!
Hoje vi, por último, “O Turista”, com Angelina Jolie. É aquela produção americana cujo final todo mundo já sabe: feliz! Dele não vou falar agora.
Antes de “O Turista”, assisti ao “Biutiful”, do cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, que fez "21 Gramas" e "Babel". "Biutiful" é uma produção hispano-mexicana, com final bem previsível pra quem conhece produção europeia (tá, tudo bem, não é só europeia, mas principalmente...).
Ele narra a história de Uxbal, interpretado pelo espetacular Javier Bardem (o mesmo de “Onde os Fracos Não Tem Vez” e “Vicky, Cristina e Barcelona”) e se passa em Barcelona. O longa trata de muitos assuntos sensíveis e de “biutiful” não tem nada. Mostra mesmo é a face feia da vida. E com uma força brutal.
Uxbal cria dois filhos, uma de 10 e um de 7 anos, cuja mãe, de quem é separado, é bipolar. A propósito, o nome do filme foi inspirado numa cena em que o pai está ajudando a filha a fazer o dever de casa de inglês e ela pergunta como se escreve beautiful, quando ele lhe responde que se escreve como se fala. Sobre a ex-mulher, é retratado na película o que uma família com mãe bipolar pode sofrer. É tão real nesse ponto que parece documentário, pois mostra com uma realidade cruel as idas e vindas de uma pessoa bipolar, o que ela pode fazer com si mesma e com os filhos.
Não bastasse a bipolaridade de uma pessoa, fala de uma outra doença abominável: o câncer. Uxbal se descobre com câncer de próstata, que já migrou para ossos e fígado, com previsão de 2 meses de vida. E sofre absurdo com o fato de deixar seus filhos órfãos.
Então tá: até agora estamos falando de um pai, que tem câncer em fase terminal e duas crianças, cuja mãe é doida de pedra.
Continuemos...
Uxbal é vidente e, por isso mesmo, vê assombração pra todo lado. Um dos trabalhos dele é visitar mortos em velórios e ter um contato com eles. E dar o recado para as famílias. E quando dá o recado, ainda sofre com a hostilidade de algumas dessas mesmas famílias que o pagam pra isso.
Ok. Falamos até agora de alguém que vai morrer em poucos dias, tem duas crianças que não podem contar com a mãe e sofre com as consequencias de sua mediunidade.
Não bastasse tudo isso, o homem espanhol tem como ocupação oficial explorar a mão-de-obra de imigrantes chineses e africanos em Barcelona. Barcelona está irreconhecível na história. Depois que fiz o Caminho de Santiago de Compostela e conheci a parte rural da Espanha, achei Barcelona um espetáculo de cidade!!! Mas no filme é como se o diretor tivesse levado o México (que só conheço por filmes...) à Espanha, já que a charmosa metrópole europeia é vista quase que exclusivamente pelas ruas degradadas dos bairros pobres. Os chineses fabricam produtos falsificados em situação de trabalho escravo e os africanos vendem no comércio informal.
Uma amiga que mora em Barcelona me disse que existe um grave problema social lá em relação aos imigrantes africanos. Li que o fato de não ter eletricidade, emprego, educação ou água corrente em muitas regiões da África, bem como diante da proximidade geográfica com a Europa, a perigosa viagem nas mais traiçoeiras águas do mundo é tida por muitos como um risco que vale a pena. Porém, eles passam a morar na Espanha em condições de vida e de trabalho subumanas.
Além de atravessador, Uxbal recebe o dinheiro da propina para policiais fazerem vista grossa na fiscalização do trabalho dos camelôs. Então, minha gente, ainda por cima o filme trata da corrupção da polícia!
Uxbal se envolve emocionalmente com esses imigrantes e suas famílias. Tem umas cenas chocantes, em que acontece um acidente com aquecedores baratos que ele, na intenção de ajudar, comprou e instalou no cômodo em que cerca de 30 chineses, entre homens, mulheres e crianças, dormem juntos, a porta trancada e, por defeito nos aparelhos, quase todos morrem. Sobra um homem. Outras cenas mostram a violenta prisão de um africano, que é deportado e cuja esposa e filho bebê permanecem no país.
Nos seus últimos dias de vida, Uxbal é cuidado por essa africana.
Concluí que “Biutiful” é surpreendentemente mais dramático do que “Além da Vida”, de Clint Eastwood e que intitulei “visceral” a um primo. Antes de ver “Biutiful” eu acho que não sabia o significado da palavra visceral. Dá ressaca moral braba depois de ver. E só é indicado pra quem não sofre de depressão, pois alguém nesse estado sairia do filme pronto pra uma internação.
Hoje vi, por último, “O Turista”, com Angelina Jolie. É aquela produção americana cujo final todo mundo já sabe: feliz! Dele não vou falar agora.
Antes de “O Turista”, assisti ao “Biutiful”, do cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, que fez "21 Gramas" e "Babel". "Biutiful" é uma produção hispano-mexicana, com final bem previsível pra quem conhece produção europeia (tá, tudo bem, não é só europeia, mas principalmente...).
Ele narra a história de Uxbal, interpretado pelo espetacular Javier Bardem (o mesmo de “Onde os Fracos Não Tem Vez” e “Vicky, Cristina e Barcelona”) e se passa em Barcelona. O longa trata de muitos assuntos sensíveis e de “biutiful” não tem nada. Mostra mesmo é a face feia da vida. E com uma força brutal.
Uxbal cria dois filhos, uma de 10 e um de 7 anos, cuja mãe, de quem é separado, é bipolar. A propósito, o nome do filme foi inspirado numa cena em que o pai está ajudando a filha a fazer o dever de casa de inglês e ela pergunta como se escreve beautiful, quando ele lhe responde que se escreve como se fala. Sobre a ex-mulher, é retratado na película o que uma família com mãe bipolar pode sofrer. É tão real nesse ponto que parece documentário, pois mostra com uma realidade cruel as idas e vindas de uma pessoa bipolar, o que ela pode fazer com si mesma e com os filhos.
Não bastasse a bipolaridade de uma pessoa, fala de uma outra doença abominável: o câncer. Uxbal se descobre com câncer de próstata, que já migrou para ossos e fígado, com previsão de 2 meses de vida. E sofre absurdo com o fato de deixar seus filhos órfãos.
Então tá: até agora estamos falando de um pai, que tem câncer em fase terminal e duas crianças, cuja mãe é doida de pedra.
Continuemos...
Uxbal é vidente e, por isso mesmo, vê assombração pra todo lado. Um dos trabalhos dele é visitar mortos em velórios e ter um contato com eles. E dar o recado para as famílias. E quando dá o recado, ainda sofre com a hostilidade de algumas dessas mesmas famílias que o pagam pra isso.
Ok. Falamos até agora de alguém que vai morrer em poucos dias, tem duas crianças que não podem contar com a mãe e sofre com as consequencias de sua mediunidade.
Não bastasse tudo isso, o homem espanhol tem como ocupação oficial explorar a mão-de-obra de imigrantes chineses e africanos em Barcelona. Barcelona está irreconhecível na história. Depois que fiz o Caminho de Santiago de Compostela e conheci a parte rural da Espanha, achei Barcelona um espetáculo de cidade!!! Mas no filme é como se o diretor tivesse levado o México (que só conheço por filmes...) à Espanha, já que a charmosa metrópole europeia é vista quase que exclusivamente pelas ruas degradadas dos bairros pobres. Os chineses fabricam produtos falsificados em situação de trabalho escravo e os africanos vendem no comércio informal.
Uma amiga que mora em Barcelona me disse que existe um grave problema social lá em relação aos imigrantes africanos. Li que o fato de não ter eletricidade, emprego, educação ou água corrente em muitas regiões da África, bem como diante da proximidade geográfica com a Europa, a perigosa viagem nas mais traiçoeiras águas do mundo é tida por muitos como um risco que vale a pena. Porém, eles passam a morar na Espanha em condições de vida e de trabalho subumanas.
Além de atravessador, Uxbal recebe o dinheiro da propina para policiais fazerem vista grossa na fiscalização do trabalho dos camelôs. Então, minha gente, ainda por cima o filme trata da corrupção da polícia!
Uxbal se envolve emocionalmente com esses imigrantes e suas famílias. Tem umas cenas chocantes, em que acontece um acidente com aquecedores baratos que ele, na intenção de ajudar, comprou e instalou no cômodo em que cerca de 30 chineses, entre homens, mulheres e crianças, dormem juntos, a porta trancada e, por defeito nos aparelhos, quase todos morrem. Sobra um homem. Outras cenas mostram a violenta prisão de um africano, que é deportado e cuja esposa e filho bebê permanecem no país.
Nos seus últimos dias de vida, Uxbal é cuidado por essa africana.
Concluí que “Biutiful” é surpreendentemente mais dramático do que “Além da Vida”, de Clint Eastwood e que intitulei “visceral” a um primo. Antes de ver “Biutiful” eu acho que não sabia o significado da palavra visceral. Dá ressaca moral braba depois de ver. E só é indicado pra quem não sofre de depressão, pois alguém nesse estado sairia do filme pronto pra uma internação.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Primeiro discurso de Dilma Rousseff
Quero colocar aqui palavras não de cunho feminista, longe de mim, mas de cunho estritamente feminino. Pois assim me considero. Ontem, primeiro dia do ano, deitada no sofá da casa dos meus pais, fazendo cafuné nos cabelos da minha mãe e com os pés no colo do meu pai (rs), depois de almoçar um banquete caseiro, fiquei deveras emocionada com o primeiro discurso da nossa nova presidente, no Senado. Não tava botando muita fé não, já que ela se mostra às vezes tão esquisita... Mas adorei cada vírgula. A íntegra está disponível no site http://www.senado.gov.br/noticias/verNoticia.aspx?codNoticia=106579&codAplicativo=2. Lá não tinha internet e como não podia esperar um só minuto, passei uma mensagem a todas as mulheres da minha lista de contatos do celular. É uma vitória de todas nós, mulheres! Não imaginava que tudo aquilo o que ela discursou fosse mexer tanto comigo. Mexeu. O tom de voz dela me conquistou. Em especial quando mencionou o trecho da obra de um poeta da sua terra. Assim dizia o poema:
“O correr da vida [diz ele] embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.”
Fiquei encucada e pensei cá comigo: “Gente, eu conheço esse poema. Gente, eu tenho esse poema lá em casa... e é pintado numa almofada lá na sala!”. Pois é. E tenho mesmo. É de autoria de Guimarães Rosa e, numa sinopse digna de admiração, resume como a vida é. Altos e baixos, mas afastada toda e qualquer bipolaridade. Calor e frio, que podem ser amenizados com ar condicionado (ou melhor, vento do litoral) e casaco. Apertos e folgas, que podemos treinar suportar, com fé. Sossegos e inquietações, auxiliados pelo exercício diário da felicidade. Tudo isso, todos esses momentos, a gente só vai saber transpor se tiver coragem. É, gente, sem coragem pra enfrentar esse 2011 que tá começando, sem coragem pra encarar o que temos pela frente, emocional, social, financeira e profissionalmente falando, a gente se enfia debaixo do edredon e não quer mais sair. Coragem a todos nós brasileiros. Especialmente a todas nós brasileiras. Ver uma mulher chegar onde Dilma Rousseff chegou me dá a sensação de que a mulher definitivamente está sendo respeitada pelo que faz profissionalmente. E, o que é mais admirável, independente do seu estado civil. Todas sabemos que estado civil é socialmente superestimado. E essas duas questões, profissional e pessoal, dissociadas, como foi a impressão que tive ontem durante a posse da chefe maior do poder executivo, me levam a crer que é possível o mundo respeitar uma mulher independente das suas escolhas na vida pessoal. Ver a presidente no parlatório do Palácio do Planalto ao lado de dois casais (Lula e Michel Temer e esposas), sozinha, porém firme, decidida, corajosa, me deu ânimo, vontade, coragem. Essa foi a impressão que tive. Esses foram o sentimentos que tive. Coragem a todos e a todas nós, homens e especialmente mulheres, brasileiros e brasileiras, em 2011!!!
“O correr da vida [diz ele] embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.”
Fiquei encucada e pensei cá comigo: “Gente, eu conheço esse poema. Gente, eu tenho esse poema lá em casa... e é pintado numa almofada lá na sala!”. Pois é. E tenho mesmo. É de autoria de Guimarães Rosa e, numa sinopse digna de admiração, resume como a vida é. Altos e baixos, mas afastada toda e qualquer bipolaridade. Calor e frio, que podem ser amenizados com ar condicionado (ou melhor, vento do litoral) e casaco. Apertos e folgas, que podemos treinar suportar, com fé. Sossegos e inquietações, auxiliados pelo exercício diário da felicidade. Tudo isso, todos esses momentos, a gente só vai saber transpor se tiver coragem. É, gente, sem coragem pra enfrentar esse 2011 que tá começando, sem coragem pra encarar o que temos pela frente, emocional, social, financeira e profissionalmente falando, a gente se enfia debaixo do edredon e não quer mais sair. Coragem a todos nós brasileiros. Especialmente a todas nós brasileiras. Ver uma mulher chegar onde Dilma Rousseff chegou me dá a sensação de que a mulher definitivamente está sendo respeitada pelo que faz profissionalmente. E, o que é mais admirável, independente do seu estado civil. Todas sabemos que estado civil é socialmente superestimado. E essas duas questões, profissional e pessoal, dissociadas, como foi a impressão que tive ontem durante a posse da chefe maior do poder executivo, me levam a crer que é possível o mundo respeitar uma mulher independente das suas escolhas na vida pessoal. Ver a presidente no parlatório do Palácio do Planalto ao lado de dois casais (Lula e Michel Temer e esposas), sozinha, porém firme, decidida, corajosa, me deu ânimo, vontade, coragem. Essa foi a impressão que tive. Esses foram o sentimentos que tive. Coragem a todos e a todas nós, homens e especialmente mulheres, brasileiros e brasileiras, em 2011!!!
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