domingo, 2 de janeiro de 2011

Primeiro discurso de Dilma Rousseff

Quero colocar aqui palavras não de cunho feminista, longe de mim, mas de cunho estritamente feminino. Pois assim me considero. Ontem, primeiro dia do ano, deitada no sofá da casa dos meus pais, fazendo cafuné nos cabelos da minha mãe e com os pés no colo do meu pai (rs), depois de almoçar um banquete caseiro, fiquei deveras emocionada com o primeiro discurso da nossa nova presidente, no Senado. Não tava botando muita fé não, já que ela se mostra às vezes tão esquisita... Mas adorei cada vírgula. A íntegra está disponível no site http://www.senado.gov.br/noticias/verNoticia.aspx?codNoticia=106579&codAplicativo=2. Lá não tinha internet e como não podia esperar um só minuto, passei uma mensagem a todas as mulheres da minha lista de contatos do celular. É uma vitória de todas nós, mulheres! Não imaginava que tudo aquilo o que ela discursou fosse mexer tanto comigo. Mexeu. O tom de voz dela me conquistou. Em especial quando mencionou o trecho da obra de um poeta da sua terra. Assim dizia o poema:
“O correr da vida [diz ele] embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.”
Fiquei encucada e pensei cá comigo: “Gente, eu conheço esse poema. Gente, eu tenho esse poema lá em casa... e é pintado numa almofada lá na sala!”. Pois é. E tenho mesmo. É de autoria de Guimarães Rosa e, numa sinopse digna de admiração, resume como a vida é. Altos e baixos, mas afastada toda e qualquer bipolaridade. Calor e frio, que podem ser amenizados com ar condicionado (ou melhor, vento do litoral) e casaco. Apertos e folgas, que podemos treinar suportar, com fé. Sossegos e inquietações, auxiliados pelo exercício diário da felicidade. Tudo isso, todos esses momentos, a gente só vai saber transpor se tiver coragem. É, gente, sem coragem pra enfrentar esse 2011 que tá começando, sem coragem pra encarar o que temos pela frente, emocional, social, financeira e profissionalmente falando, a gente se enfia debaixo do edredon e não quer mais sair. Coragem a todos nós brasileiros. Especialmente a todas nós brasileiras. Ver uma mulher chegar onde Dilma Rousseff chegou me dá a sensação de que a mulher definitivamente está sendo respeitada pelo que faz profissionalmente. E, o que é mais admirável, independente do seu estado civil. Todas sabemos que estado civil é socialmente superestimado. E essas duas questões, profissional e pessoal, dissociadas, como foi a impressão que tive ontem durante a posse da chefe maior do poder executivo, me levam a crer que é possível o mundo respeitar uma mulher independente das suas escolhas na vida pessoal. Ver a presidente no parlatório do Palácio do Planalto ao lado de dois casais (Lula e Michel Temer e esposas), sozinha, porém firme, decidida, corajosa, me deu ânimo, vontade, coragem. Essa foi a impressão que tive. Esses foram o sentimentos que tive. Coragem a todos e a todas nós, homens e especialmente mulheres, brasileiros e brasileiras, em 2011!!!

2 comentários:

  1. Querida amiga e cronista, Chris,
    compartilho das mesmas impressões.
    Assisti o discurso da Dilma em casa, deitada embaixo do meu edredon, mesmo tendo jurado que estaria lá pessoalmente para participar do momento histórico. Infelizmente, acordei passando mal e não consegui me levantar da cama o dia todo. Mas valeu. Foi a chance de acompanhar tudo com mais detalhe e atenção.
    Chorei muito porque achei tudo muito emocionante. Engraçado você ter falado do tom de voz dela. Durante a campanha, era o que mais me incomodava. Ontem, no entanto, eu gostei demais. Tinha, ao mesmo tempo, leveza e firmeza. Gostei ainda porque achei sincero. Tom difícil de encontrar nos discursos políticos.
    Antes da posse, eu dizia para quem quisesse ouvir que era mesmo um momento histórico. E mais...um momento de vitória de humanidade...de evolução. Tal como aconteceu quando os Estados Unidos elegeram um presidente negro.
    Eu realmente me regozigei com a posse DELA.
    Num país que ainda tem tanto para evoluir na questão da mulher...é um grande passo.
    Agora, eu gostaria de comentar também algumas das notícias que estão circulando após a posse.
    Duas em destaque: "Ela errou no figurino" do site do Globo e "Ela (Marcela) roubou a cena" do Correio Braziliense.
    Bom, para as duas eu soltei logo de cara um sonoro: "Puta que pariu!!!"
    Eu realmente não sei qual das duas é mais sem lugar!
    Primeiro a do figurino. A Dilma estava elegante e ponto! Agora, falar que a roupa engordou e não marcou a cintura e que a gola não combinava com a faixa presidencial é muuuuita frivolidade. O momento não comporta isso. É grande demais para se perder nesse tipo de crítica. Me envergonha a tal da Patrícia Veiga, uma mulher, se prestar a esse tipo de crítica diante de um momento como esse.
    Parece até aquele velho clichezinho de mostrar uma mulher que pilota avião e ainda usa baton. Ohhhh!!!
    Gente, o que interessa se a mulher que assumiu a presidência do país está usando branco, preto ou azul? Se está gorda ou magra? Se a gola "combinou" com a faixa?? Pelamordedeus!
    Na mesma linha, me vem um imbecil falar que a tal Marcela, ninfeta do Temer, "roubou" a cena.
    Quem rouba cena, faz todas as atenções do espetáculo se voltarem para si.
    Agora, me digam: A cintura fina da menina vale mais que a falta de cintura da Dilma?
    Era isso mesmo que estava em destaque no espetáculo?
    Para mim, ela parecia mesmo algo que estava fora do lugar.
    Essa foi a grande gafe do figurino.
    Aquela figura sim não combinava com o ambiente e momento.
    Destoou!
    Bonita,é verdade. Mas...e daí?
    Se o momento era justamente da conquista pela inteligência e competência de uma mulher. Se era o símbolo da superação dessa imagem da mulher que serve apenas para posar ao lado de um marido. Da mulher que toma a frente do poder e sem par.
    Símbolo da independência de uma mulher que não vive a sombra de um marido.
    Até a Mariza mostrou que superou esta posição. Estava literalmente ao lado do Lula e não na sua sombra. Ela tirou a faixa numa clara metáfora de que ela também viabilizou todas as conquistas de seu marido. Caminharam juntos. Ela não embarcou de carona.
    Sem me alongar mais...eu só queria mesmo dizer que eu fiquei muito satisfeita e inspirada para a vida ao ver a Dilma lá. E que eu realmente desejo que nenhuma mulher precise ocupar um lugar como o de Marcela, à sombra de um homem e destoando de todo o contexto apenas e simplesmente porque tem cintura marcada e bunda em pé!
    Um viva para as Dilmas e meus lamentos para as Marcelas (elas ainda tem que crescer muito para um dia roubarem a cena de um momento histórico)!
    bjos.

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  2. Olha, Dri, fiquei aqui boquiaberta com a completude com a qual você tratou do assunto. Me orgulhei demais de você, viu! Como sempre me orgulho. Faço minhas todas, mas todas as suas palavras em relação ao visual da 1ª mulher do Brasil. É lam...entável realmente que gente perca tempo com isso, esquecendo de coisas que merecem valor. Achei o figurino da Dilma um espetáculo, primeiro porque não estava de vermelho, o que já a tornaria fraca da ideia, porquanto não precisa de cor escancaradamente petista pra dizer a que veio, segundo porque estava singelo, discreto, nobre e não marcava a cintura, ainda que tivesse pra marcar. A postura dela foi perfeita. Ridículas certas colocações da mídia. Paupérrrrimas. Se levantei a questão da mulher à frente e não à sombra de um homem, vc levantou e muito bem a questão da mulher escrava da beleza posta por uma sociedade que mais valoriza a mulher pelas curvas que tem do que pelo que é. Lamentável!!!!!!!!! Bjão e obrigada pelo graaaaaaaaaande texto!!!!Ver mais

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