segunda-feira, 28 de junho de 2010

Cinema Mamão Com Açúcar

A Ana Lúcia, minha irmã “preta” de consideração e que mora comigo, fica brava quando digo que os filmes que ela mais curte são os do gênero mamão com açúcar. Pensa numa mulher pau da vida!? Mamão com açúcar pra mim, em cinema, é sinônimo de tema leve, leviiiinho, quase pueril. Mas que também não faz mal ver, dependendo do dia e da disposição. Ela apela porque acha que é um desrespeito meu em relação a esse tipo de filme... Por isso não vou relacionar aqueles que assim considero. Risos.
Particularmente, prefiro filmes que me alteram o psicológico, que mexem comigo. Gosto de sair do cinema completamente perturbada, sem rumo, sem sequer lembrar o caminho de casa. Risos. Gosto de me sentir ou muito feliz ou muito triste ou muito reflexiva ou abismada demais com a história que acabei de ver. Sair da sala de projeção com a seguinte sensação: “Quem eu sou? Onde estou?”. Adoro!!! Sabe aquele acabar de acordar, de manhã, de um sonho que parece que durou a noite toda? É essa a sensação. Deve ser por isso que não me incomodo em fazer esse tipo de programa sozinha. Esse sentimento, em regra, é consequência dos gêneros drama ou romance. Mas tem que ser um romance daqueles, não mamão com açúcar! Risos. Não vou falar aqui de terror, pois desde quando deixei a adolescência não encaro mais esse gênero. Eu, hein! Não gosto mais de mexer com quem tá quieto!
Filmes assim me modificam. Mexem comigo a ponto de me fazer ter um olhar diferente sobre a vida, sobre os acontecimentos da vida. Filmes de superação, de combate às diferenças, de vivências de situações fora do que é considerado padrão, de relacionamentos em geral, muito me tocam.
E cinema é uma das poucas coisas que fazem a minha cabeça parar de viajar além daquilo que estou vendo ou ouvindo ou sentindo...
Lembro bem da sensação que tive ao final do filme O Céu Que Nos Protege (The Sheltering Sky), baseado no romance de Paul Bowles, que entrou em cartaz nos idos de 1990 e foi dirigido por Bernardo Bertolucci, um dos roteiristas. Recordo até hoje do sentimento que tive, pois me fez viajar por uma cultura absurdamente diferente! A história começa logo depois da 2ª Guerra Mundial, quando Kit (Debra Winger) e Port Moresby (John Malkovich), um casal de americanos que vive em Nova York, viaja para a África, deserto do Saara, na esperança de que novas experiências lhes dê um novo rumo na vida, reconstrua o amor e preencha o vazio que sentem, pois a relação está em crise e se algo não acontecer eles acreditam que o casamento tende a acabar. Na África, eles não se consideram turistas, mas viajantes. Aprendi que o turista, quando chega, já pensa em voltar, enquanto o viajante pode nem voltar. Acho que quando me aposentar vou me tornar viajante... Risos. Esse casal se separa em alguns momentos da aventura naquele continente e têm experiências marcantes. O clima, em alguns momentos, é de risco e lembra um suspense.
Outra película que marcou a minha vida, apesar de tê-lo visto na TV, foi o drama e suspense O Expresso da Meia-Noite (Midnight Express), vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 1978 e dirigido por Alan Parker. Ei, meu caro leitor, pode parar de fazer a conta dos aniversários que já fiz, pois esse filme eu vi aaaanos depois, viu!?, mesmo porque, na época do seu lançamento, eu andava de calcinha lá no Gama e no Cine Itapuã só rolava filme pornô ou shaolin. Risos. Ainda que não o tenha vivenciado no cinema, não posso deixar de comentá-lo. A história é baseada na biografia homônima de Billy Hayes (Brad Davis), um jovem americano que experimenta uma prisão turca, depois de pego em Istambul tentando traficar haxixe. Após sofrer por quatro anos com sádicas torturas em condições subumanas, Billy está prestes a ser solto, quando seu perdão é negado. Apenas a sua coragem e o apoio de um prisioneiro amigo lhe dão forças para fugir por meio do trem denominado Expresso da Meia-Noite, transporte do lugar e que serviu de inspiração para o nome do filme.
Poderia falar de mais um monte, mas paro por aqui.
Teve um tempo na minha vida que, sempre que podia, experimentava ver uns três filmes no cinema, no mesmo dia, um seguido do outro. Pra quem trabalha em regime de plantão isso fica relativamente fácil. O que não é fácil é, quando do retorno pra casa, separar as histórias umas das outras, refletir sobre o que se viu sem misturar tudo na cabeça. Refletir o pós filme é o caminho pra se aproveitar algo na própria vida, pra se tirar algum proveito. Portanto, ver tudo ao mesmo tempo no cinema é o que hoje chamo de desrespeito com esta arte, pois, tal qual namorar um monte de gente ao mesmo tempo (longe de mim fazer isso... risos... cuida-se de experiência alheia, acreditem!... risos), você não consegue dar o real valor a cada história.
Não sei bem a razão, mas depois desta última reflexão, lembrei de uma fábula de Esopo (O Cão e o Naco de Carne), cuja moral é “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”!
Portanto, mais vale ver em um só dia um só filme que vale a pena do que comer com farinha experiências sem número em salas de projeção.

sábado, 26 de junho de 2010

Amor Verdadeiro

Fala-se muito da conexão além do físico entre mãe e filho.
Assisti recentemente um filme que retratou essa crença: A Jovem Rainha Vitória (Young Victoria, 2009), Oscar de Melhor Figurino 2010 e que trata do período em que a filha da Duquesa de Kent (Miranda Richardson) assumiu o trono do Reino Unido do século 19 aos 18 anos, em decorrência da morte prematura do seu tio, Guilherme IV. A trama mostra os erros e acertos de Vitória (Emily Blunt) em seus primeiros meses no cargo, incluindo uma crise constitucional gerada pela escolha, acredite!, de camareiras. O curioso é que ela acabou por reinar durante 64 anos, período que ficou conhecido como Era Vitoriana e no qual imperou lado a lado com o marido que escolheu, o primo Albert de Saxe-Coburg (Rupert Friend). Devem ser essas a razões da sua história ter sido escolhida pra tema de filme. No exato momento em que ela sofre um atentado no qual um súdito atira na sua direção, consequência de um reinado impopular, a sua mãe arrepia os pêlos dos braços. Ficou bem retratada a conexão entre as duas.
Outra cena que mostrou essa ligação que ninguém racionalmente explica foi a da novela das 8 da Rede Globo, Viver a Vida, na qual Tereza (Lília Cabral) sofre um mal estar repentino no preciso momento em que a filha Luciana (Alinne Moraes) sofre o acidente de carro que a deixa tetraplégica.
Lembro dessas duas cenas, mas sei que cada um de nós, se parar pra pensar, vai ter uma história pra contar.
A minha é a seguinte:
Dia desses, fui a uma festa na fazenda de um casal de tios muito queridos no entorno do DF. Lá é daqueles lugares que não dá vontade de ir embora. Por isso acabei pernoitando. Celular não pega. Na manhã seguinte, estávamos conversando potoca (do dicionário goianês, potoca significa bobagem), eu sentada numa cadeira e com os pés sobre outra, numa folga que dava gosto e, pouco antes do almoço, que já estava sendo preparado, me deu aquela vontade inopinada de ir embora. Ninguém entendeu o porquê. Nem eu, afinal, quem me conhece sabe que almoço pra mim é sagrado e dou uma boiada pra comer a comidinha da Tia Valdomira. Na estrada de volta, eu sem almoçar, o meu celular começou a avisar as ligações feitas enquanto fora da área de cobertura e eis que havia as do pai do Dante. Várias. Liguei e soube que no exato momento em que me bateu aquela agonia, sentada naquela cadeira e de pés pra cima, o Dante tinha metido a canela na beira da piscina e cortado a ponto de ver o branco do osso da perna do menino! Os encontrei (Dante e o pai) no hospital e a ferida foi costurada. Ficou tudo bem, claro, mas a sensação que tive naquela fazenda me intriga e me prova que essa conexão existe.
Tenho um primo muito estimado que gravou o número do telefone da mãe na agenda do celular dele com o título “Amor Verdadeiro”.
Realmente, se fosse possível comparar amor, esse, de mãe pra filho, não perderia pra nenhum outro!