Fala-se muito da conexão além do físico entre mãe e filho.
Assisti recentemente um filme que retratou essa crença: A Jovem Rainha Vitória (Young Victoria, 2009), Oscar de Melhor Figurino 2010 e que trata do período em que a filha da Duquesa de Kent (Miranda Richardson) assumiu o trono do Reino Unido do século 19 aos 18 anos, em decorrência da morte prematura do seu tio, Guilherme IV. A trama mostra os erros e acertos de Vitória (Emily Blunt) em seus primeiros meses no cargo, incluindo uma crise constitucional gerada pela escolha, acredite!, de camareiras. O curioso é que ela acabou por reinar durante 64 anos, período que ficou conhecido como Era Vitoriana e no qual imperou lado a lado com o marido que escolheu, o primo Albert de Saxe-Coburg (Rupert Friend). Devem ser essas a razões da sua história ter sido escolhida pra tema de filme. No exato momento em que ela sofre um atentado no qual um súdito atira na sua direção, consequência de um reinado impopular, a sua mãe arrepia os pêlos dos braços. Ficou bem retratada a conexão entre as duas.
Outra cena que mostrou essa ligação que ninguém racionalmente explica foi a da novela das 8 da Rede Globo, Viver a Vida, na qual Tereza (Lília Cabral) sofre um mal estar repentino no preciso momento em que a filha Luciana (Alinne Moraes) sofre o acidente de carro que a deixa tetraplégica.
Lembro dessas duas cenas, mas sei que cada um de nós, se parar pra pensar, vai ter uma história pra contar.
A minha é a seguinte:
Dia desses, fui a uma festa na fazenda de um casal de tios muito queridos no entorno do DF. Lá é daqueles lugares que não dá vontade de ir embora. Por isso acabei pernoitando. Celular não pega. Na manhã seguinte, estávamos conversando potoca (do dicionário goianês, potoca significa bobagem), eu sentada numa cadeira e com os pés sobre outra, numa folga que dava gosto e, pouco antes do almoço, que já estava sendo preparado, me deu aquela vontade inopinada de ir embora. Ninguém entendeu o porquê. Nem eu, afinal, quem me conhece sabe que almoço pra mim é sagrado e dou uma boiada pra comer a comidinha da Tia Valdomira. Na estrada de volta, eu sem almoçar, o meu celular começou a avisar as ligações feitas enquanto fora da área de cobertura e eis que havia as do pai do Dante. Várias. Liguei e soube que no exato momento em que me bateu aquela agonia, sentada naquela cadeira e de pés pra cima, o Dante tinha metido a canela na beira da piscina e cortado a ponto de ver o branco do osso da perna do menino! Os encontrei (Dante e o pai) no hospital e a ferida foi costurada. Ficou tudo bem, claro, mas a sensação que tive naquela fazenda me intriga e me prova que essa conexão existe.
Tenho um primo muito estimado que gravou o número do telefone da mãe na agenda do celular dele com o título “Amor Verdadeiro”.
Realmente, se fosse possível comparar amor, esse, de mãe pra filho, não perderia pra nenhum outro!
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