Ontem à noite a terra tremeu novamente aqui no sul da Califórnia. É uma sensação bem esquisita. Desde que nos mudamos pra cá, há 8 anos, já "pegamos" terremoto algumas vezes, sempre fraco, felizmente. O epicentro do de ontem, no entanto, foi o mais perto daqui de casa até agora, apesar de não tão perto.
Eu estava sentada no sofá da nossa sala, as meninas dormindo: a Gabi em seu quarto, a Tati no meu (Henrique está viajando, a Tati me faz companhia). Eu estava terminando meu lanche e pronta para assistir o episódio de 2 horas de "Desperate Housewives", season finale. De repente, sinto um negócio estranho. A impressão que me dá é que estou em cima de um tapete que está sendo puxado para os lados. O movimento que sentimos é de deslocamento lateral. Dá uma certa tontura bem de leve.
Num ímpeto, assim que me toquei que era um terremoto, levantei e fiquei embaixo do "batente" da porta do meu quarto, na dúvida se acordava as meninas e as colocava debaixo do meu braço, ou se esperava para colocar os pensamentos em ordem e ver o tamanho do estrago.
Optei pela segunda alternativa, já que a sensação de tremelique da terra já tinha passado e agora só meu corpo continuava tremendo, mas de nervoso. Chamei a Tati baixinho, pra ver se ela estava acordada. Ela estava, e um pouco assustada. Me perguntou o que estava acontecendo. Eu corri pra perto dela, peguei-a nos braços e avisei que tinha sido um "terremotozinho bobo". (situação sui generis, pra dizer o mínimo).
Ela rapidamente me disse: "pode deixar mamãe, eu sei o que fazer: temos que ir pra debaixo da mesa para nos proteger!" E antes que ela fosse colocar isso em prática, avisei: não aqui em casa, que a nossa mesa é de vidro (obs.: comprar uma mesa de jantar de madeira URGENTE). Então, eu a instruí a ficar embaixo do batente da porta caso acontecesse de novo.
Enquanto forçava o Tico e o Teco (leia-se meus queridos neurônios) para funcionar, liguei para uma amiga para confirmar o ocorrido. Caixa-postal. Liguei para mais uma amiga, que confirmou na hora. Conversamos um pouco, rimos de nervoso e do absurdo de se morar num lugar com terremoto, enquanto eu ia separando umas mudas de roupas minhas e das meninas.
Separei roupas, água em garrafinhas e peguei uma lanterna. Lembrei que o carro fica na garagem embaixo do nosso apê. Resolvi tirá-lo de lá e deixá-lo dormir numa vaga ao ar livre, caso eu precisasse sair no meio da noite com as meninas (por que é que essas coisas sempre acontecem de noite, hein Mr. Murphy?). Vai que o portão da garagem emperra ou que a casa cai (literalmente) em cima do carro. As coisas mais absurdas passam pela nossa cabeça, mas é melhor pecar por excesso do que por omissão. Aproveitei e já deixei a bolsa com as roupas e a água no carro, para o caso de uma fuga.
É tudo muito rápido, alguns segundos, mas o suficiente para nos deixar tremendo de susto por mais um tempo. O terremoto de ontem durou entre 10 a 15 segundos, foi de 4.7 na escala Richter com epicentro em Hawthorne, Los Angeles, a uns 40 minutos aqui de casa. Nenhuma morte ou ferimento foi registrado.
http://earthquake.usgs.gov/eqcenter/
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Nossa Rê,
ResponderExcluirdá para tremer só de ler seu relato.
Caramba, tem que ter sangue frio na hora.
Espero que vocês continuem bem.
Se cuidem...
Beijos!
Êita... Não sei nem o que dizer, de verdade. Parece ficção. Fiquem com Deus.
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