Olá queridas amigas!
Desejo um ano-novo-bom cheio de saúde e muitos fogos de artifício...
Estava com saudades de aparecer por aqui: final de ano corrido, muitos afazeres, enfim! Mas ontem me deparei com uns escritos meus, aqueles que ficam guardados no fundo do baú, cheios de poeira mesmo. Escritos de um tempo em que colocava no papel as emoções.Veio o casamento, vieram os filhos e me esqueci bastante dessa prática. De vez em quando vou colocar algo aqui para vocês lerem... A poesia sempre foi uma espécie de combustível para mim. Então, para vocês em 2010, muita poesia!
SAUDADE
Saudade. Ausência daquele quê que me envolvia e me fazia tão mulher. Tudo era tão intenso e por isso mesmo tão perto da morte. Morte do nosso tempo. E entre um ágape e outro, quanta história, quanta memória farta de sedução. Os olhos ainda brilham, mas se esqueceram que eram narcisos e não se procuram mais. Aquela cumplicidade toda, agora se dilui. É como se um ácido ousasse corroer o que havia de mais eterno. É como se aquele vulcão fingisse se tornar um sopro falho de calor. É como se eu engolisse o desaforo do mundo. E engolida não posso sequer falar. Calar é o meu desespero. O que me resta é aquele resto de olhar, que tímido esqueceu-se de toda emoção. Esquecemos um do outro. Esqueci de dizer o quanto amei. Amei-te. Em meio a tanta loucura pensei estar explícito o que para mim era a única verdade. Esqueci, mas esqueceu-se também. Esqueceu-se do abrigo, do afago, do mundo que despejei sobre teus pés e era a ti destinado. Esqueceu-se de tentar vingar aquela semente cujas raízes afundaram. E nossa amizade, tão sincera, foi a mais esquecida e enterrada. Agora jaz numa rua sem esquina. Sem uma quilha que a faça retornar. Não há chance de sobrevivência. Os pássaros do acaso não ousam mais pousar sobre o meu ombro. Um grito abafado ecoa e se perde na madrugada vazia. Vadia. Vampira noite que me engole, gole a gole, e me embriaga de lucidez. A noite e eu, num ágape de solidão. A noite provocando prazeres e desenhando com estrelas uma realidade mais colorida, de onde provém fluidos únicos de bem-estar e um estado quase feliz.
Sem você, mas quase feliz.
Sem você, mas pela primeira vez, plena de mim!
(há quase duas décadas atrás...)
Beijos procês...
Adorei, Paty. Voce devia continuar, tem talento de sobra! Esse seu poema traduz muito do que sinto, do que venho sentindo ultimamente... Algumas coisas me tem feito sentir uma saudade doida (doida e "doihda" = dolirda - eita, teclado sem acento) de tempos atras.
ResponderExcluirUm beijo bem grande e feliz tudo em 2010!!
Meninas,
ResponderExcluirHoje, nesse domingo tão calado, resolvo de novo acessar nosso blog. Olha só o que leio!
Lindas palavras falando de saudade! Paty, que talento é esse! E, por falar em saudade...SAUDADES DE TODAS VOCÊS!!! Bj.