Esperei uns dias até postar aqui sobre a morte de Michael Jackson. Eu sei, eu sei, estamos todos sofrendo de overdose de notícias a respeito da saída de cena mais chocante e inesperada do show biz desde Elvis Presley, talvez. Então, para aquelas que já estiverem fartas de tanta falação sobre ele, aviso, pois sou amiga: não se sintam constrangidas. Podem parar de ler agora, pois aqui está um relato de uma fã bem exagerada, melosa e verborrágica.
Talvez alguém te pergunte, um dia, "onde você estava quando Michael Jackson morreu"? Bom, eu me lembro exatamente o meu estado de espírito quando ouvi a notícia que até agora parece não ter "caído" na minha cachola. Meu dia já estava meio estressante. Henrique viajando (pra variar, quando acontece algo "grande"), tinha passado o dia envolvida com meu carro, que misteriosamente morrera na noite anterior, felizmente na garagem de casa. Depois de tentar reanimá-lo com a famosa "chupeta", ajudada por um amigo aqui do condomínio, dei por encerrada todas as tentativas de ressuscitação automobilística e fui renovar nossa carteira do AAA (não tem nada a ver com Alcoólicos Anônimos, hein gente? É tipo o Touring no Brasil).
Cheguei em casa com as meninas lá pelas 4 da tarde, exausta e com calor. Arrumei alguma coisa pra elas se entreterem e fui vegetar no sofa, tentar relaxar antes de arrumar o jantar. Ligo a TV no Jornal Nacional e a primeira coisa que ouço da Fátima Bernardes é: "Em instantes, mais detalhes sobre a morte de Michael Jackson". Acho que soltei um What the Fuck? instintivo e meu corpo se arrepiou todinho.
Como assim, Michael Jackson morreu? Não pode. Não dá. De manhã já tinha lido que a Farrah Fawcett tinha finalmente descansado da luta contra o câncer. E agora ELE? Apesar da incredulidade - Fátima Bernardes só pode ter lido errado o teleprompter! - estava cansada demais pra ligar o computador e começar a ler sobre isso. Simplesmente continuei chapada no sofá e esperei o casal telejornal continuar contando aquela história absurda.
Durante o intervalo do JN, liguei pro Henrique pra tentar confirmar a notícia. Liguei, liguei e nada. Durante 2 horas fiquei tentando contactá-lo e não consegui. Cheguei a pensar que ele também tinha tido um treco ao ouvir a notícia, pois era fã de carteirinha. Fiquei aliviada quando ele finalmente ligou de volta, sem saber de nada, porque estava no cinema... E ficou tão chocado quanto eu, quanto todo mundo.
Michael Jackson foi meu primeiro ídolo. E eu sou daquelas fãs chatas que, quando gosta, consome TUDO sobre o cara ou a banda. Quero dizer, hoje não, que não tenho mais paciência pra isso, mas na época... No início dos anos 80, na minha vida, só dava Michael Jackson. Disco, poster, bottom, camiseta, revista e o que mais inventassem, caía nas minhas garras. Uma tia que vinha sempre aos EUA ajudava a alimentar esse vício, levando pra mim tudo o que ela encontrava pelo caminho. E como eu gostava!
As músicas dele, ainda hoje, mexem comigo. Beat It, Rock With You, Don't Stop 'til You Get Enough, Thriller... Me arrepiam todas as vezes que escuto. E como tenho dançado ao som de Michael Jackson desde o dia 25! Tenho tentado recuperar o tempo em que fiquei meio anestesiada sem ele na cena musical mundial, acachapado pelas tantas bizarrices que adotou em sua vida e que creditaram a ele. Essa mesma mídia que agora diz chorar sua morte ajudou a enterrá-lo ainda em vida. Patético.
Mas falemos do ídolo. Achei um texto do Bruno Mazzeo (eu e a cultura de massa: quem me conhece de verdade, sabe como é intrincado e simbiótico esse relacionamento) que conseguiu traduzir em palavras o que senti desde quando ouvi a notícia até agora. Parece que ainda não caiu a ficha. Aqui nos EUA a overdose continua. Todos os dias, invariavelmente, tem algum "especial" passando sobre a vida dele.
Ontem decidi me registrar para concorrer a 2 ingressos para o show-tributo que farão aqui em Los Angeles na terça-feira. Um misto de animação e angústia me acompanham desde então. Sem dúvida é um lugar onde eu quero e não quero estar ao mesmo tempo, pois se o objetivo é celebrar a vida do astro que mudou o cenário musical mundial - e isso ninguém se atreve a discutir - também será a constatação de uma realidade que os fãs até agora resistem a reconhecer - que o homem está morto.
Nos anos 90, quando ele e Madonna decidiram ir ao Brasil num intervalo muito curto entre um e outro, Henrique e eu tivemos que decidir qual dos shows assistir. Como ainda morávamos em Bsb, seria muita grana ir pros dois. Então, Michael Jackson ganhou e fomos assistí-lo em Sampa, no Morumba, maravilhados com O Cara, sua performance, suas músicas e seu espetáculo, digno de ser chamado SHOW. Ana Paula Arósio estava lá, bem pertinho da gente. Ela e milhares de anônimos que, como nós, cantou e dançou durante mais de 2 horas.
Bom gente, vou parando por aqui porque sei que estou ficando chata. Eu sei, sim. Mas na verdade, e de verdade, o sentimento é genuíno. A sensação é de que uma parte da minha vida se foi um pouquinho com a morte dele. Foi-se porque aquele que me encantou tanto durante uma época já não existe mais, ao menos no plano físico. O ídolo, o primeiro ídolo, aquele que um dia foi tao grande em minha vida e me despertou para a música e para a dança - mesmo tendo ficado esquecidinho durante um tempo - já não respira.
Como dizia Cazuza: "Meus heróis morreram de overdose". A morte dele não deixou de ser isso. Uma overdose de analgésicos, anestésicos. Uma vida de exageros. Exagero de talento, de abuso, de bizarrice, de plástica, de escândalos. Exagero de sucesso e de infelicidade. Agora espero que ele encontre a paz que não teve em vida. E que não o transformem num novo Elvis, com personificações mal feitas por todos os lados. Que ele, finalmente, descanse.
Naquele dia 25 eu não chorei. Mas depois disso, já chorei um pouquinho sim, pensando nele e em tudo o que sofreu em vida. Pensando em seus filhos, que agora passarão por um turbilhão mesquinho. E chorei um pouco por mim também, por ver que a vida é isso aí. A gente nasce, cresce, se reproduz e morre mesmo. Às vezes nem consegue cumprir esse roteiro. Não tem pra onde correr. Ninguém fica prá trás! Nem quem a gente chegou a considerar, um dia, imortal.
O link pro blog do Bruno Mazzeo: http://bloglog.globo.com/brunomazzeo/#
(O título do post é "THE ONE").
domingo, 5 de julho de 2009
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Rê, a cada perda, seja ela qual for, nos remete ao tempo que já passou. E, se a gente não se cuidar, dá aquela sensação de velhice, de que tudo do nosso tempo está se acabando. É preciso que façamos um exercício mental de renovação. Sempre. Não se trata de auto-ajuda. É só autodefesa mesmo. No sentido de nos manter jovens. Tem uma música do Renato Teixeira, que amo de paixão, que retrata muito esse ciclo natural da vida. E, no mais, é só “ir tocando em frente”...
ResponderExcluir“Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou (grifo meu)
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz (grifo meu)”
Grande beijo.
ChrisZago
É isso aí, Chris. Conheço essa música,é mesmo muito linda!
ResponderExcluirAcho que tenho uma cabeça boa, mente aberta, encaro a velhice com certa tranquilidade, como algo natural. Tento acompanhar o tempo, porque pertencemos a ele enquanto fizermos parte desse plano físico. Mas quando alguém se vai, tão próximo (até certo ponto, no caso do MJ), bate a realidade e nos tira um pouco o chão.
Mas...Rockin' and Rollin', babe!!
Beijos pra você também
PS: Já fomos notificados pelo Staples que não fomos sorteados para o showneral amanhã. Melhor assim... Aquilo lá vai estar um mar de gente!
O Michael Jackson morreu?
ResponderExcluirComo asssim?
Não sei ainda se acredito nessas notícias que ando lendo...
Acho que ele tá por aí passeando com o Elvis e rindo da nossa cara...
Hoje já são 7 de julho, ninguém fala nada desse raio desse velório... Tô ouvindo o cara desde o último dia 25 sem parar e o Daniel até o moonwalker aprendeu a fazer, é mole?
É isso aí... Fá que é fã mermo pôe até o coitado do filho pra dançar que nem o ídolo!
Cléo, a Tati e a Gabi, que até o dia 24/06 não faziam idéia de quem ele era, hj já até cantarolam algumas das músicas dele.
ResponderExcluirO velório está sendo neste exato momento, televisionado ao vivo.
Re, nao sabia que era fa dele!!!! Tambem adoro o MJ!!! Foi meu grande idolo e ainda e! Tive um monte de posters, comprei um monte de discos (na epoca nao existia CD), botons, revistas, etc etc. Ainda crianca, ou atualmente, seria uma pre-adolescente, tentei ligar para o fa-clube dele nos EUA para dar parabens pelo seu aniversario. Meu pai deu gracas a Deus que ninguem atendeu, pois liguei no inicio da tarde e naquela epoca ligacao internacional era super cara.
ResponderExcluirSuas musicas sao maravilhosas, sua performance nem se fala... Sempre fui e provavelmente continuarei a ser super fa e a me emocionar com MJ. Espero que MJ tenha se realizado enquanto ser humano... ele sempre me passou uma paz muito grande e um jeito de "servir as pessoas"... sempre o admirei!
Beijos e muita paz!
Dri Garfi