sábado, 18 de julho de 2009
CINEMA LÁGRIMAS
Como não poderia deixar de ser, já estou eu aqui de novo falando de cinema. Nunca acreditei em ressocialização de preso. Até assistir o filme MEU NOME NÃO É JOHNNY, que conta a história baseada em fatos reais de João Guilherme Estrella, interpretada pelo nada mais nada menos que meu ídolo Selton Mello. João Guilherme é filho de classe média do Rio de Janeiro, menino muito bem criado, exceto pelo fato do pai ser um tanto quanto condescendente as suas vontades. Mas ele erra tentando acertar, eis que estimula o filho a batalhar pelo que quer, quando diz que não vai dar o peixe, mas ensiná-lo a pescar. João Guilherme se transforma no maior vendedor de drogas do Rio de Janeiro, é condenado à prisão e cumpre a pena. Chorei um bocado com a cena dele saindo do presídio, redimido, acompanhado dos verdadeiros amigos (os poucos que restaram) e passeando pela cidade do Rio de Janeiro. Selton Mello transmite perfeitamente aquela sensação de liberdade depois de tanto tempo enclausurado. Dali em diante, ele demonstra que abandonou o crime. Essa é uma exceção à regra, mas que serviu de esperança ao meu ceticismo. Ontem vi outra película que fala do pós prisão. Ótimo, por sinal. HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO, um drama francês que relata a vida de Juliette Fontaine, uma médica interpretada pela maravilhosa Kristin Scott Thomas (aquela, que fez o Paciente Inglês), que ficou presa durante 15 anos por ter matado o próprio filho, de 6 anos. O filme começa com a sua saída da prisão. Ela é bem feia no início do filme. Já viu que gente ruim é feia? Fria, amargurada, distante, não dá papo. Vai morar na casa da irmã Léa, interpretada pela ilustre desconhecida Elsa Zylberstein, mais nova, que foi obrigada pelos pais a esquecer que tinha irmã, é casada, mora com o marido, o sogro, que perdeu a fala em decorrência de um derrame e tem duas filhas adotadas. Adotou porque não quis gerar um filho, talvez pelo trauma vivido com Juliette. Aquele reinício, a busca por emprego, o fato de não saber lidar com a sobrinha mais velha, enfim, a reinserção na vida em sociedade (não que dentro dos muros dos presídios não haja uma sociedade) é muito bem retratada, de maneira complicada, como de fato deve ser. Ela tem que conviver inclusive com o suicídio do policial que cuidava da sua condicional e com quem tinha estabelecido certa afinidade. A gente sente com ela aquela solidão. Kristin Scott Thomas nos envolve com sua falta de delicadeza em alguns momentos de forma impressionante. Ela é tão dura que passamos a ficar com medo do seu passado obscuro. Afinal, quem seria capaz de matar o próprio filho? Mas, do meio para o fim, ela vai demonstrando ter sensibilidade, ser gente, sentir amor e, por isso, vai ficando cada vez mais bonita. Linda, por sinal! O final é surpreendente. O filme mereceu concorrer ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, ao Urso em Berlim e a outros diversos prêmios que concorreu e ganhou, destaque para César de melhor atriz coadjuvante para Elsa Zylberstein e ao BAFTA de filme estrangeiro. Vale a pena conferir. O nome do filme foi inspirado na música interpretada por Jean-Louis Aubert, Dis quand reviendras-tu?, que pode ser ouvida pelo link.
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http://www.youtube.com/watch?v=wwcZrdwQvcw&eurl=http%3A%2F%2Fwww%2Evcviu%2Ecom%2Ebr%2Ffilmes%2Fdrama%2Fha%2Dtanto%2Dtempo%2Dte%2Damo&feature=player_embedded
ResponderExcluirChris do céu! Que crítica linda! Eu tenho que ver esse filme para ontém! Já tinha visto o do Selton Mello, mas estou morrendo de vontade de conferir o outro. Nem acredito que você falou da sua mudança de ceticismo. É difícil acreditar nas pessoas, mas quando o resultada é positivo a gente vê que vale a pena todas as outras desilusões.
ResponderExcluirBeijos
FAbíola
Chris, assisti esses dois filmes. O "Meu nome nao e Johnny" vi em DVD nessa ultima ida ao Brasa.
ResponderExcluirEsse outro, frances, assisti recentemente aqui em DVD tambem. Vc acertou em cheio em tudo o que disse! So tenho mais uma coisa a declarar, e pra fazer sentido mesmo quem nao viu vai ter que ver. O filme ensinou tambem que antes da gente ir jogando pedra nos outros, eh preciso saber o que aconteceu de verdade, nao eh? Lindo. O amor da irma mais nova pela mais velha e tocante. O amor, a paciencia, a vontade de te-la de novo em sua vida. Tambem recomendo!
Beijos, beijos
Rê, mandou muito bem ao mencionar essa questão do preconceito. Ter preconceito é negar-se saber do desconhecido, já dizia minha amiga Fabíola. E o quanto isso ocorre em se tratando do pós cumprimento de pena. O filme chama à reflexão. E refletir sempre nos faz aprimorar o ser humano que somos. Bjão. ChrisZago
ResponderExcluirMeninas,
ResponderExcluirdemais é também a interpretação da juíza pela Cássia Kiss... Lembram que o filme começa com ele lendo o cartão de Natal que ela manda pra ele na prisão?
Beijos da Cléo.